Man In The Music: Capítulo III - Bad - ( Parte III )
Michael Jackson foi apresentado ao USA for Africa, primeiramente, em 1984. Uma idealização do músico e ativista social Harry Belafonte, o objetivo era unir as maiores estrelas da indústria da música para criar um hino (à la “Do They Know Its Christmas?” do Band Aid) para levantar fundos e sensibilização para a África faminta.
As circunstâncias em partes da África, incluindo Etiópia e Sudão, eram terríveis: centenas de milhares de pessoas precisavam desesperadamente de comida, assistência médica, e outras coisas essenciais.
Quando Quincy Jones foi contatado para dirigir a gravação da música, ele sugeriu que Michael, que previamente tinha expressado interesse em ajudar, coescrevesse um hino com Stevie Wonder e Lionel Richie. (Wonder, por fim, não pôde contribuir para a composição, embora tenha fornecido vocais para o álbum.)
Por anos, antes do projeto “We Are The World”, Jackson esteve envolvido em trabalho humanitário. Crescentemente, ele considerou isso um dos mais satisfatórios e importantes aspectos da vida dele.
Em seguida ao acidente com queimadura dele, enquanto filmava um comercial da Pepsi, em 1984, ele doou todo o dinheiro que ele recebeu ($ 1,5 milhões de dólares) para criar o Centro de Queimados Michael Jackson para Crianças. Em 1986, ele doou outros $ 1,5 milhões para o United Negro College Fund para dar a jovens afro-americanos desprivilegiados a oportunidade de receber uma educação.
Ele frequentemente visitava hospitais e conhecia crianças que estavam sofrendo, incluindo algumas que estavam à beira da morte. “Ele não tinha medo de olhar para dentro do pior sofrimento e encontrar a menor parte que é positiva e bela”, disse o, então, empresário, Frank DiLeo.
Durante toda e Turnê Mundial Bad, Jackson doou ingressos e presentes para crianças desprivilegiadas e doentes.
“Toda noite as crianças viriam em macas, tão doentes que elas dificilmente podiam erguer as cabeças delas”, recorda o treinador de voz de Jackson, Seth Riggs, quem sempre viajava com o cantor em turnê. “Michael ajoelharia à altura da maca e colocaria o rosto dele bem ao lado dos delas, assim ele poderia ter a fotografia dele tirada com elas e, daí, dar a elas uma cópia para lembrar o momento.
Eu era um homem de sessenta anos e eu não podia suportar isso. Eu ficava no banheiro chorando. Mas Michael podia suportar, e bem antes de ir para o palco, sem falta. As crianças se animavam na presença dele. Se isso desse a elas mais um par de dias de energia, para Michael, valia a pena.”
Com “We Are The World”, no entanto, Jackson estava começando a ver novas e poderosas possibilidades em fundir a música dele com ações sociais de larga escala.
Jackson e Lionel Richie começaram a trabalhar na música no final de 1984. Depois de virem com apenas poucos versos das sessões deles juntos, eles receberam um cutucão gentil de Quincy Jones – “Meus queridos irmãos, nós temos quarenta e cinco estrelas vindo em menos de três semanas e nós precisamos de uma maldita música.”
Jackson respondeu à pressão pegando um par de canções que ele e Richie tinha feito e se trancou em casa até ter terminado a música. “Por volta daquele tempo”, ele recorda “eu costumava pedir a minha irmã, Janet, para me seguir para dentro de uma sala com uma acústica interessante, como um closet ou um banheiro e eu cantaria para ela apenas uma nota, um ritmo de uma nota. Não seria uma letra ou nada; eu apenas sussurrava do fundo da minha garganta. Eu diria ‘Janet, o que você vê? O que você vê, quando você escuta esse som? Nesse momento ela responderia: ‘Crianças morrendo na África. ’”
Pedaço por pedaço, ele criou uma demo tosca, inteira, no estúdio na casa dele em Hayvenhurst. “Eu adoro trabalhar depressa”, ele disse. “Eu fui em frente sem nem mesmo Lionel saber, eu não pude esperar. Eu entrei e sai, na mesma noite, com a música completa – bateria, piano, cordas e palavras para o refrão.”
Quando o dia de gravar a música chegou, Quincy Jones colocou um sinal sobre a entrada no qual se lia: Deixe o ego de vocês na porta. “Eu queria lembra-los de que este projeto era maior que todos nós”, ele disse.
Na noite de 28 de janeiro de 1985, os mais proeminentes músicos da indústria começaram a se apresentar: Stevie Wonder, Diana Ross, Cindy Lauper, Bruce Springsteen, Billy Joel, Ray Charles, Tina Tuner, Bob Dylan e Paul Simon, entre outros. “Eu nunca tinha experimentado antes ou desde então, a alegria que eu senti àquela noite trabalhando com este rico, complexo tapete humano de amor, talento e graça”, Quincy Jones escreveu mais tarde.
“We Are the World” foi lançada, junto com o vídeo dela, em março de 1985, e o carregamento inicial de 800.000 cópias foi vendido dentro de três dias. Ela se tornaria o single mais vendido de todos os tempos (vendendo, estimativamente, vinte milhões de cópias) e levantou mais de $60 milhões de dólares para o esforço de socorro à África.
A música em si era um hino habilidosamente arranjado com um refrão memorável e um majestoso final em estilo gospel. Em uma crítica, em 1985, o New York Times elogiou-a como “mais que uma colaboração comunal sem precedentes entre a elite da música pop por uma boa causa – ela era um triunfo artístico que transcendeu a natureza “oficial”dela.
Osingle do Band Aid [‘Do They Know It’s Christmas? ’] foi uma alegre canção pop de Natal, que tendeu a homogeneizar vozes individuais em um canto único, para que soassem como vários pequenos sinos.
Em contraste, os vocais solos em ‘We Are The World’ tem sido, artisticamente, entrelaçados para enfatizar a individualidade de cada cantor… A música, uma balada simples, eloquente, cujas harmonias de abertura relembram ‘We’ve GotTonight’, é uma declaração pop plenamente realizada, que soaria extraordinária, mesmo se ela não tivesse sido gravada por estrelas.” “We Are the World” continuaria para vencer três Grammys Awards, no America Music Award, e um Peoples’s Choice Award.
As pessoas, desde então, se tornaram mais cínicas sobre a efetividade de tais “hinos de celebridade”, ou“músicas de causa”. Elas são, muitas vezes, percebidas como arrogantes, presunçosas, sentimentalismos, para aqueles com tendências messiânicas. (Antes de Jackson, John Lennon, talvez, tenha sido o primeiro alvo de tal criticismo. Depois de Jackson, Bono, do U2, assumiu o papel.) Porém, é difícil discutir com o resultado prático de uma música como “We Are the World”, que não apenas, literalmente, salva vidas humanas, mas também atrai conscientização em todo o mundo sobre a condição da África.
Ela, obviamente, não resolveu todos os problemas da África; mas como Quincy Jones colocou: “Qualquer um que queria jogar pedras em algo como isso, pode tirar a bunda daqui e procurar o que fazer. Deus sabe, há muito mais a ser feito”.
Jackson, então, com vinte sete anos, fazendo “We Are the World” foi uma experiência de abrir os olhos sobre o poder da música em trazer “cura” pessoal, social e política.
O criticismo sobre a insuficiência disso simplesmente perde o ponto. Jackson não pensava em termos de políticas públicas. Ele poderia, no entanto, imaginar as pessoas em todo o mundo, de diferentes culturas e línguas, cantarolando a melodia simples; ele poderia sentir o despertar e ações coletivas que ela inspiraria; e ele poderia ver as crianças morrendo de fome na Etiópia sendo alimentadas e vestidas.
Ela forneceu a semente para muitos outros hinos que viriam; desde “Man In The Mirror” a “Heal the Wolrd”, de “Earth Song” a “What More Can I Give?”.
Vinte e cinco anos depois do lançamento inicial, “We are The World” tem se provado durável. Em 2010, a música foi colocada em uso humanitário de novo, dessa vez em nome dos esforços de auxílio que se seguiram a devastação do furacão no Haiti. Apresentando uma inteira nova geração de artistas, incluindo Jeniffer Hudson, Pink, Usher e o nascido no Haiti, Wyclef Jean, a música e o vídeo, mais uma vez, surgiu no topo dos charts, enquanto fornecia milhões de dólares para auxílio e desenvolvimento.

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